A Sergipanidade é um ato político porque ela simboliza a forma como pessoas de diferentes grupos sociais se definem, gerando um sentimento de pertencimento coletivo, a partir de várias motivações pessoais. É a união que nasce das nossas diferenças. Ela gera unidade a partir da diversidade. A afirmação da Sergipanidade se dá a partir de memórias coletivas e individuais, vivências e experiências em Sergipe. Portanto, você não precisa ser sergipano ou sergipana para construir cotidianamente o seu sentimento de pertencimento a Sergipe.
A Sergipanidade é um ato político porque ela não exclui e nem isola. Ao destacar as nossas especificidades e/ou perceber onde somos semelhantes, ressalto a diversidade das culturas nordestina e brasileira. A Sergipanidade é fundamental em cenários onde existe a necessidade de difusão do conhecimento sobre a história, a geografia, a literatura e as práticas culturais do nosso estado. Somos carentes desse saber e esse sentimento de pertencimento nos motiva a entender o nosso lugar no mundo, principalmente, para aperfeiçoar a nossa visão de mundo. A ideia é saber que estamos inseridos e para isso temos que entender a parte para compreender o todo.
A Sergipanidade é um ato político porque representa a luta pela manutenção do nosso patrimônio cultural, simboliza a resistência das nossas culturas populares e expressa o nosso conhecimento, respeito e valorização aos trabalhadores e trabalhadoras que constroem a cultura do nosso estado. Ressaltar a Sergipanidade é entender a importância e relevância dos povos originários e compreender que boa parte da nossa herança cultural é filha da resistência e existência de indígenas e quilombolas. Somos Lambe-Sujos e Caboclinhos, a fusão de Serigy, Siriry, Pacatuba, Aperipê e Japaratuba com Dona Nadir da Mussuca, Dona Zefa da Guia, Dona Josefa do Sítio Alto e Dona Deca.
A Sergipanidade é um ato político porque contestamos a hegemonia cultural dominante, sobrevivemos às relações de poder impostas e começamos a entender a importância de políticas públicas na área da cultura. A nossa Sergipanidade passa a ser resultado de ações políticas quando reconhecemos, valorizamos e investimos nos nossos patrimônios vivos, nas artesãs e nos artesãos, nos/nas artistas, nas catadoras de mangaba, nas marisqueiras e nos pescadores, por exemplo. Somos Parafusos nos mangues, Cacumbis no rio Sergipe, São Gonçalo da Mussuca na serra de Itabaiana, Bacamarteiros na caatinga e Samba de Pareia nas dunas da Praia do Saco.
A Sergipanidade é um ato político porque que nos faz entender a importância de representantes políticos que atuam na defesa da democracia, estão atentos aos interesses coletivos, transformam os recursos públicos em políticas e serviços que promovam a manutenção das nossas práticas culturais e dos direitos civis. Ao canalizar esse sentimento de pertencimento em mobilização social, somos capazes de amplificar vozes historicamente silenciadas, conferir visibilidade a quem tentaram apagar e reposicionar como protagonistas os sujeitos que a história oficial tentou deixar à margem.
